sábado, 7 de junho de 2014

Diário de uma (já não) Caloira: o balanço do primeiro ano

Olá a todos!
Espero que esteja tudo bem convosco. É verdade, há muito que não postava. Mas estas últimas semanas têm sido semanas passadas no inferno, com as avaliações de todas as cadeiras a acumularem-se.
Tentei dar o meu melhor nestas últimas avaliações, mas, infelizmente, isso equivaleu a deixar o blog um pouco de parte. Mas agora que já acabei as aulas espero ter, no mínimo, mais tempo para me dedicar ao blog.

Neste post venho fazer um balanço do meu primeiro ano de faculdade. Espero com ele esclarecer algumas dúvidas que poderão surgir a futuros caloiros e não só.

Só quando estava a vir no comboio, de regresso a casa depois do inferno na terra que foi a frequência de TIR é que me caiu a ficha: o ano de caloira acabou. Sobrevivi a isto. E estou, como é óbvio, a exagerar.

Para quem (ainda) não sabe estou a tirar a licenciatura de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Dentro do curso há quatro vertentes que posso seguir: Jornalismo, Comunicação Estratégica (Marketing, Relações Públicas), Cinema e Televisão e Comunicação Cultura e Artes. Para fechar uma vertente tenho de fazer no mínimo 5 cadeiras opcionais dessa vertente e outras 5 de vertentes à minha escolha. No primeiro ano não temos nenhuma opcional, as cadeiras são todas do tronco comum e logo, obrigatórias.

Conselho para futuros caloiros: NÃO SE ILUDAM. Ciências da Comunicação NÃO É Jornalismo, é mais do que isso, dá-vos mais possibilidades (mais vertentes), mas fecha-vos outras tantas (como uma componente mais prática ou mais vocacionada). O ensino superior universitário É DIFERENTE do ensino superior num politécnico, sendo que numa universidade, seja o curso que escolherem, vão ter sempre uma componente mais TEÓRICA do que num curso num politécnico. Acho importante ressaltar isto porque há muita gente que não sabe, tal como eu não sabia.

O primeiro ano em CC é muito teórico. Sim. Mesmo muito. E isso desmotiva muita gente, mas também serve para ver quem realmente quer estar lá e tem vontade de levar isto até ao fim.

Quanto às cadeiras eu vou fazer um breve resumo:

História dos Media: Não tem grande ciência, quem vem de Humanidades já está habituado a ter História e esta não é assim tão mais difícil. O importante é saber escrever e ter alguns conhecimentos para além do programa da cadeira.
Teoria da Comunicação: É uma daquelas cadeiras que ao longo do semestre sempre me questionei qual seria a sua utilidade prática. Mas agora dou por mim a utilizar frequentemente termos e conceitos que lá aprendi, pelo que já a considero mais útil. O bónus? A professora é um amor e bastante acessível.
Teoria da Notícia: Gostei das aulas e do programa. Tive pena de não me ter esforçado um bocado mais e ter tido uma nota melhor. Basicamente damos as várias teorias sobre o jornalismo, alguma história do jornalismo e por aí.
Semiótica: Um dos cadeirões do curso (não porque não haja possibilidade de se ter boas notas, mas sim porque ninguém percebe nada do que é dado). Fiz semiótica e se me perguntarem não sou capaz de vos explicar nada sobre isto. Sad but true.
Sistémica e Modelos da Informação: Detestei esta cadeira. Jeez, foi um parto para a fazer. Junta computadores, teoria matemática da comunicação e sistemas. Montes de sistemas.
Comunicação e Ciências Sociais: Uma das minhas cadeiras preferidas, a que achei mais interessante. Basicamente pega em vários sociólogos cujo trabalho possa ser aplicado à comunicação e em especial aos media. E foi a cadeira que me permitiu por as mãos na massa (podem ouvir-me a partir do minuto 45 mais ou menos).
Economia: Gostei desta cadeira no geral, o programa é interessante e o professor sabe motivar. Pelo que me disseram não é muito diferente de Economia do secundário, o que é um bónus.
Métodos Quantitativos: Esta cadeira é um parto. Basicamente temos de fazer um trabalho de investigação... que nunca chega a ser aplicado. A segunda parte do programa é análise estatística. E enquanto outras faculdades usam programas como o SPSS para dar esta cadeira nós utilizamos as good old calculadoras.
Filosofia da Comunicação: Só par verem como é interessante cheguei a ir a aulas onde éramos 10 pessoas. Nós somos 90 e tal alunos no curso, agora pensem. Basicamente analisamos o sentido das frases.
Teoria da Imagem e da Representação: Semiótica 2.0. Estudamos o problema da imagem. Junta filosofia, história da Arte e computadores. As conclusões tiram vocês.

Concluindo: estou à espera que o segundo ano me surpreenda, especialmente as cadeiras opcionais. Do primeiro ano retiro muita teoria e muita diversidade, mas ansiava por algo mais conciso. Acho que o que aprendi é algo muito vago.

Para quem se vai inscrever este ano: BOA SORTE NOS EXAMES, ESTUDEM MUITO E ESFORCEM-SE. Se querem ir para Ciências da Comunicação, porém, tenho um conselho: não esperem nada muito prático. Se querem algo mais prático aconselho-vos Jornalismo na ESCS. Porque o que eu aprendi num ano de CC é que formar jornalistas que saibam escrever uma notícia é fácil, mas o que diferencia um bom jornalista é a bagagem cultural que tem, o seu "Currículo invisível". Tanto a FCSH como a ESCS formam bons profissionais, por isso a escolha é vossa.
Se tiverem alguma dúvida, podem perguntar que terei todo o gosto em responder.

Um beijinho e até à próxima

2 comentários:

  1. bem, bora lá acrescentar um ponto a isto... como sabes eu não tirei CC, mas sei como é CC na FLUP...e tens razão - mais ou menos... cá CC tem tres vertentes: jornalismo, relações públicas e multimedia... tem teoricas, mas essas pelo que percebi sao mais as de RP...eles cá tem TEJ nos 3 anos, e antes de escolherem a vertente, que é só no terceiro, tambem tem imensas praticas de multimedia... acho o curso mais desafiante, mas depois tambem é mais chato para quem tem de 'levar' com vertentes que nao gosta 2 anos...

    agora, o que me deixa louca é porem toda a gente a aprender economia =P

    xoxo

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  2. Gostei muito do post! Vou este ano para a universidade e a minha primeira opção foi CC mas no Porto. Apresar de ser um bocadinho diferente acho que ajudas-te muito com o que escreveste. É uma fase da nossa vida em que andamos um bocadinho ás escuras porque não sabemos o que vai acontecer e muda muita coisa, e este tipo de posts são sempre interessantes :)
    Beijinhos

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